A língua Sakurabiat, pertencente ao ramo Tupari da família Tupi, é a língua tradicional da etnia de mesmo nome, habitante tradicional da região do atual estado de Rondônia. A língua foi conhecida na literatura também como Mekens (Mequéns). A autodenominação Sakurabiat denominação de um dos subgrupos étnicos e linguísticos foi escolhida para se referir a todo o povo e por extensão também à língua, após uma drástica redução populacional, mas há pelo menos duas grandes variedades da língua ainda em uso: as variedades Guaratira e a variedade Sakurabiat . A situação de perda linguística vivenciada pelos Sakurabiat vem se constituindo há algumas décadas e atualmente há uma situação de alta vulnerabilidade e pouca vitalidade da língua. Depois de terem sido numerosos, divididos em vários subgrupos étnicos, atualmente os Sakurabiat estão bastante reduzidos demograficamente embora estejam distribuídos em cinco pequenas aldeias, eles totalizam menos de 100 pessoas vivendo atualmente na T.I. Rio Mequens, localizada no município de Alto Alegre dos Parecis (RO). O processo de perda e mudança linguística no caso dos Sakurabiat foi relativamente gradual e envolveu fatores sociolinguísticos já conhecidos na literatura, como redução populacional, devido sobretudo a doenças, marginalização/repressão, espaço de uso reduzido, quebra na cadeia de transmissão, o que resulta em número reduzido de falantes e concentração desses falantes entre pessoas com idades avançadas.
Na década de 1990, a língua Sakurabiat contava com 23-25 falantes fluentes e já havia uma ruptura na transmissão. O número de falantes reduziu em 50% desde então. A situação de perda e mudança linguística entre os Sakurabiat resultou que duas gerações de crianças não aprenderam a língua tradicional do grupo. Português é falado por todos os membros do povo e é a primeira e única língua de todas as crianças nascidas na T. I. Rio Mequens, pelo menos desde o início da década de 1990. Em levantamento realizado pela orientadora deste subprojeto em 2020, havia 12 falantes fluentes e 06 falantes passivos. Os jovens e crianças possuem certa compreensão passiva da língua e conhecem um vocabulário reduzido, tais como itens relativos a fauna e flora mais comuns na região,utensílios e outros termos do cotidiano, itens referentes a relações próximas de parentesco etc. Porém, há uma iniciativa, no contexto específico da educação escolar indígena, de resgate linguístico, através de atividades, com a participação de falantes de Sakurabiat, que residem na mesma aldeia onde está localizada a escola. Entre essas atividades está a contação de histórias tradicionais, seja com base no livro de histórias tradicionais (Galucio,2006) seja com base no conhecimento ativo dos falantes adultos da aldeia (Guaratira e Costa, 2020). A língua Sakurabiat tem sido estudada e documentada por Ana Vilacy Galucio desde a década de 1990, trabalho que obteve como resultados várias publicações sobre a fonologia e morfossintaxe da língua e uma coletânea de textos intitulada “Narrativas Sakurabiat Majãp Ebõ” (Galucio, 2001, 2006, 2014).
O sistema fonológico da língua Sakurabiat possui 15 fonemas consonantais e 10 fonemas vocálicos, sendo 5 vogais orais e 5 vogais nasais. As consoantes são /p, t, k, kw, ʔ, b, g, m, n, ɳ, ɳw, w, j, ɾ/ e as vogais são /a, ɛ, i, ɨ, o/ e /ã, ɛ̃, ĩ, ɨ̃, õ/. Todas as vogais breves também possuem equivalentes longos /a:, e:, i:, , ɨ:, o:/ (Galucio 2006). A representação ortográfica desses fonemas é feita pelas seguintes consoantes (p, t, k, kw, ’, b, g, m, n, ng, ngw, w, y, r) e vogais (a, e, i, u, o, ã, ẽ, ĩ, ũ, õ), respectivamente. As vogais longas são representadas graficamente por duas vogais idênticas (aa, ee, ii, uu, oo). A nasalidade da vogal é indicada pelo uso do til (~) sobre as vogais. O acento tônico é geralmente fixo na última sílaba da palavra, por isso, não é marcado.