piitonai Kaaphidzapani koatsiripana maapawikaa amana ieewhemi eenoinami maaderhipani doodoli ipolemi okaanami dzawireewhemi yokiranhaa waamo hiipani hiiparo ieneneemi dzaattewikaa perhipani tsinoana kathsirhipani dzattiana eerinomi Onoli ipatakakaromi wia inomana haiko ikalittani inomana hiiwaroana kolirhipani Paitsi hiidzapani karaphaipani Portugês(A-Z)
Os Medzeniakonai (Baniwa-Koripako) estão localizados no Brasil, Colômbia e Venezuela, ocupando comunidades às margens do rio Içana (Iniali) do alto rio Negro. O território dos Medzeniakonai (Baniwa-Koripako) no rio Içana atualmente se divide em cinco microrregiões, para melhor atendimento tanto na questão de associações vinculadas à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) quanto no aspecto da subdivisão do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (DSEI-ARN). A região do Baixo Içana vai da comunidade de Boa Vista até Assunção do Içana. Nessa região existem quatro associações e um polo-base, que foi instalado na comunidade de Camarão, abrangendo inclusive o rio Cubate, primeiro grande afluente do rio Içana. A região do Médio Içana-1 inicia em Nazaré e vai até Santa Marta, com duas associações e um polo-base instalado na comunidade de Tunuí Cachoeira. Já a região do Médio Içana-2 vai da comunidade Juivitera até Tamanduá, com uma associação e um polo-base instalados na comunidade de Tucumã. O afluente Aiari, por sua importância, é uma zona à parte. Lá existem duas associações. O polo-base foi instalado na comunidade Canadá, no médio rio Aiari. O alto rio Içana vai de Matapi Cachoeira até Camanaus, última comunidade dos chamados ñamepako, e que faz fronteira com a Colômbia. Nesta área existe uma associação e um polo-base, que foi instalado na comunidade de São Joaquim.
Nesse espaço territorial dos Medzeniakonai há certos lugares com nomes próprios, que são diferentes de outros, que não possuem um nome próprio, mas apenas uma nomeação genérica. Este material apresenta um conjunto de 26 topônimos de lugares sagrados para os Medzeniakonai (Baniwa-Koripako), situados ao longo do percurso do rio Içana e seus afluentes. São apresentadas as palavras relacionadas à toponímia desses locais e a história por trás desses nomes, a partir da cosmologia dos Medzeniakonai. Ressalta-se a importância de conhecer e respeitar a história e as características de cada lugar, uma vez que esses lugares estão associados com os yoopinai, espíritos que deram origem aos seus nomes, e podem estar relacionados a doenças provocadas por esses seres não humanos, se as normas de uso e comportamento não forem seguidas.
Este trabalho é uma extensão do projeto do dicionário multimídia Baniwa-Koripako, que foi inicialmente concebido no âmbito do Programa de Documentação das Línguas Indígenas (PRODOCLIN), vinculado ao Museu do Índio do Rio de Janeiro, em parceria com a Funai e a Unesco. O projeto foi realizado por meio de oficinas com professores, alunos e lideranças no território dos Medzeniakonai.
Atualmente, a pesquisa está sendo desenvolvida no Museu Paraense Emílio Goeldi, através do Programa de Capacitação Institucional (PCI). Os resultados aqui apresentados derivam especificamente da pesquisa iniciada durante a vigência de uma bolsa de pós-doutorado, no Programa de Capacitação Institucional do Museu Paraense Emílio Goeldi (PCI/MPGE), sob a supervisão da Dra Ana Vilacy Galucio.
A equipe que trabalhou na elaboração do material aqui apresentado é composta por Artur Garcia Gonçalves Walipere, Vicente João Filho, Gilberto Garcia, Ana Vilacy Galucio e Saulo Brito. As imagens apresentadas neste documento foram geradas por meio do uso de inteligência artificial (IA) utilizando o Criador de Imagens do Bing (https://www.bing.com/images/create). Para elaborar essas imagens, foi redigido um breve texto descritivo para cada lugar destacando suas principais características, que serviu como guia para geração de imagens. As opções de imagens geradas pela IA foram avaliadas e reelaboradas a partir de ajustes nos comandos de texto. As imagens consideradas mais adequadas foram selecionadas para inclusão. Tendo em vista que ainda não há pesquisa sobre a toponímia dos Medzeniakonai (Baniwa-Koripako), destaca-se a importância das condições institucionais que nos permitiram desenvolver a presente pesquisa.
É um lugar sagrado bem conhecido pelos Medzeniakonai. que fica à
margem do rio Içana, onde existe uma serra chamada Pittonai, que pode
ser traduzida aproximadamente como “casa de grilos”. Esse grilo, na
verdade, é o nome do dono desse lugar. Segundo relato dos sabedores,
essa montanha que tem o nome de piitonai (casa de grilos), normalmente
para os Medzeniakonai está associada aos espíritos chamados de yoopinai.
Existe uma doença relacionada a esse lugar, mas quando ela ocorre é
difícil de identificar se foi provocada por yoopinai ou outro ser
chamado de hiwiatti. É preciso pajé para ler sonho do doente e fazer
tratamento correto.
Piitonai apakoa kaida kaakonadali.
Grilos é uma praia lugar sagrado.
na nossa lingua são os grilos.
ninguém sabe que é isso? mas tem coisa sim.
é o dono porque tem dono.
porque todos aqui no rio.
aqueles que tem nome, não é de qualquer jeito.
tem peixe no rio, animal, animal no rio.
são esses que recebem nomes assim.
é.
o nome que é assim é a serra.
porque?
quando começa entender, porque na nossa lingua é chamado roniri (dono
da serra).
aquele dono da serra é espirito.
mas a história correta é essa.
Nesse lugar localizado próximo uma comunidade dos Medzeniakonai.
existe uma cachoeira, mas quem recebe o nome kaaphidzapani é a montanha
que fica ao lado dessa cachoeira.Kaaphidzapani é um nome composto por
estes dois significados: kaaphi é um tipo de cipó com que é feito kaapi,
para tomar na hora cerimônia de dabucuri (ayawaska), e dzapani é
montanha. Ele também pertence ao yoopinai.
Kaaphidzapani apada hiidzapa Iniali riko.
Serra de kaapi (ayawasca), é localizado no rio Içana.
cachoeira.
aquele.
serra de cipó (kaapi).
o que será?
tem história sobre isso.
porque é a serra de kaapi.
siginifica serra do kaapi a palavra kaphidzapani.
o que chamamos de kaapi aquele lá.
o remédio.
chamamos de kaapi.
mas ninguém sabe como os donos sabem sobre ele.
os que moram perto dele.
É um lugar completamente coberto de pedra. Esse nome também se
refere a yoopinai, de modo que se tem cuidado na hora de passar por
perto: muitas vezes, caso não obedeça às regras relacionadas a esse
lugar, a pessoa é capaz de ficar doente e se transformar até a morte.
Mas também é um ponto estratégico para os Medzeniakonai, onde as pessoas
costumam se reunir para trocar ideias e para tomar decisões dos
coletivos.
Koatsiripana ttonowidali iema.
Casa de quati que fica na comunidade Tunui.
esse é animal.
como você pode ver ele tem imagem.
na pedra.
isso para comprovar que é verdade.
casa de quati.
casa de quati é o pé de quati.
É uma pedra que possui uma cor acinzentada e fica no meio do rio,
perto de uma cachoeira pequena num trecho onde tem praia dos dois lados
das margens do rio: dentro dela fica a casa de abelha. Essa abelha tem
uma história bem perigosa: principalmente quando uma pessoa tem
pesadelos não pode passar perto desse lugar sem um pajé fazer benzimento
para proteção, porque é um lugar que faz parte dos yoopinai (espíritos);
por isso ele tem cuidados que devem ser respeitados por qualquer
pessoa.
Maapawikaa heemadami powalhema.
Casa de abelha que fica perto de uma comunidade.
eu tinha visto com eles as abelhas, ali dentro de pedra.
eles são verdadeiros.
É uma pedra branca que existe num local q quase no meio de um
rio, onde existem pedras bem transparentes como se fossem diamantes, por
isso recebeu nome “ninho de boto. Esse lugar mitologicamente tem uma
história longa. Antigamente essa pedra não aparecia, mas com o passar do
tempo acabou saindo fora do solo devido à força da água. Ela só aparece
na época do verão. Essa pedra é muito perigosa: não pode passar próximo
e nem tocar sem benzimento. Quando o homem sonha fazendo sexo, é melhor
ele se cuidar e ficar em casa. Se ele sair após ter sonhado mal, vai
acabar pegando a doença do yoopinai.
Hiipada amana ieewhemi.
Pedra ninho de boto.
ovo de boto.
esse lugar ali do meio, o seu finado avô.
finado Fiidanecio.
ovo de boto aquele é.
Era isso deles, porque são pedras diamantes.
o que tem nome é ovo dele.
No meio do rio, como voce viu quando rio está seco.
ele deita nesse lugar.
Nesse lugar que fica próximo de um igarapé com muitos peixes e
outros animais, encontra-se casa de uma espécie de abelha que ficou
sempre ali. Também conhecido como cabeça de abelha; o trovão ou raio
gostam de cair em cima das pessoas, quando passam nesse lugar. Na
mitologia, também faz parte de yoopinai.
Eenoinami ttonowi pokoalhema.
A espécie de abelha fica perto da comunidade Tunui.
é o tipo de abelha.
ali ficava grande abelha como falam.
assim falou meu finado avô.
sempre ficou lá/
é de lá mesmo.
aquel abelha.
eles chamam de abelha.
aquel abelha cabeça de abelha ou grande abelha.
esse (lugar) que é chamado assim.
também sempre o raio cai nesse lugar.
por isso é chamdo de abelha.
É uma pedra que tem dono. Antigamente os sabedores falam que
nesse lugar os esquilos sempre ficavam, mas que esses esquilos na
mitologia são gente, pessoas. Porque os animais são seres humanos.
Possui sua história específica de cuidado para tomar banho perto dessa
pedra, tanto quando o rio está cheio, quanto na época de seca. Aparecia
uma moça bonita de cabelos loiros e olhos azuis sentada naquela pedra.
Geralmente, ela aparecia no início do inverno. A pessoa que insiste em
ver a moça, significa, para os velhos conhecedores, que a pessoa vai
morrer logo, atacada pelo Yoopinai Maaderi.
Hiipada omawalimi.
Pedra de sucurujú.
aquele lugar tem dono.
antigamente os velhos, a finada avó contou que os esquilos ficaram
nesse lugar.
são gente porque os animais são gente.
É uma pedra grande encontrada na margem do rio num lugar onde
existe uma cachoeira grande e praia onde as pessoas costumam pernoitar
durante a sua viagem. É uma pedra, mas essa pedra é cobra sucuriju. Ela
tem uma história na mitologia que o rabo começa a amarrar na frente de
uma cachoeira, ou seja, o rabo dele começa a aparecer desde um igarapé
chamado, na língua Medzenikonai, Kopiaro (imagens de sucuriju). Por isso
o igarapé recebeu esse nome: a razão disso é que ele aparecia balançando
como macaco guariba. Também neste lugar existia cipó imbé, que era cipó
de sucuriju, e a história conta que era remédio dos peixes.
Doodoli ipolemi.
Forno de sucurijú.
aquele é verdadeiro.
o sucuriju mesmo.